sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Menino da Favela

Jovem, preto, novo, pequeno.
Falcão fica na laje de plantão no sereno.
Drogas, armas, sem futuro.
Moleque cheio de ódio invisível no escuro, puro.
É fácil vir aqui me mandar matar, difícil é dar uma chance a vida.
Não vai ser a solução mandar blindar.
O menino foi pra vida bandida.

Desentoca, sai da toca, joga à vera.
O choro é de raiva, de menor não espera, a laje é o posto, imagem do desgosto, tarja preta na cara para não mostrar o rosto.
Vai, isqueiro e foguete no punho.
Quem vai passar a limpo a sua vida em rascunho .
Cume envenenado pra poder passar a hora.
Vive o agora, o futuro ignora.
O amargo do sangue, tá na boca.
Vivendo o dia-a-dia, descobre que sua esperança é pouca.
moleque vende, garoto compra, pirralho atira, menino tomba.
Mete Bronca, entra no caô pra ganhar.
joga no ataque, se defende com AK.
Pupila dilatada, dedo amarelo, jovem guerrilheiro no seu mundo paralelo, bate o martelo.
acabou de condenar, julgamento sem defesa, quem é réu vai chorar, vai babar .
Por que o coração não bate mais, agora quer correr a frente, não correr atrás.
Idade de Criança, responsa de adulto, mente criminosa enquanto a alma veste o luto, puto.
Por dentro, faz o movimento, raciocínio lento e o extinto sempre atento.
Não perde tempo, vem fácil, morre cedo, descontrolado , intitulado a voz do medo, vitima do gueto, universo preto.
Vida é o preço e pela vida largo o gueto.


Por : David Silva do Nascimento

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